Deus criou o ser humano. Porém, o ser humano pecou contra Deus. Muitas pessoas, entretanto, não sabem qual é o pecado que cometeram contra Ele. Jesus disse: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mt 4:17), mas muitos não sabem exatamente de que pecado precisam se arrepender.
Alguns pensam que pecar contra Deus significa violar a própria consciência, a Lei ou as leis deste mundo. Por isso, pedem perdão a Deus por esses pecados e fazem resoluções, prometendo não cometê-los novamente. Contudo, esse não é o arrependimento que Deus deseja. Existe um pecado que provoca a ira e o juízo de Deus. Se não soubermos qual é esse pecado, não poderemos nos arrepender corretamente e acabaremos enfrentando a perdição eterna.
Por isso, é extremamente importante compreender qual é o pecado do qual Deus deseja que nos arrependamos.
O ser humano passou a conhecer o bem e o mal
Gênesis 3 relata como o ser humano pecou contra Deus. Deus formou Adão do pó da terra e o colocou no jardim do Éden. Então lhe disse:
“De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:16–17).
Depois disso, Deus formou a mulher de uma das costelas de Adão e a deu a ele como esposa. Os dois estavam nus, mas não se envergonhavam.
Então a serpente se aproximou de Eva, mulher de Adão. Sobre essa serpente, o livro de Apocalipse diz:
“E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás” (Ap 20:1–2).
A “antiga serpente” mencionada aqui é a serpente que tentou Eva. A Bíblia identifica essa serpente como o diabo e Satanás. Portanto, quando a serpente se aproximou da mulher, foi o diabo que se aproximou dela.
A serpente perguntou à mulher: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” (Gn 3:1).
A mulher respondeu que eles podiam comer do fruto das árvores do jardim, mas que Deus havia dito a respeito da árvore que estava no meio do jardim: “Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais” (Gn 3:2–3).
Então o diabo disse:
“Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gn 3:4–5).
Quando a mulher ouviu as palavras da serpente e olhou para a árvore, viu que ela era boa para se comer, agradável aos olhos e desejável para dar entendimento (Gn 3:6). Então tomou do seu fruto e comeu; e deu também ao seu marido, que estava com ela, e ele comeu.
Quando Adão e Eva comeram do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, seus olhos se abriram, como a serpente havia dito. Algo que nunca havia acontecido antes ocorreu: perceberam que estavam nus e costuraram folhas de figueira para fazer coberturas para si. Depois, ao ouvirem a voz do Senhor Deus, que passeava pelo jardim, esconderam-se da presença de Deus entre as árvores.
Eles simplesmente passaram a conhecer o bem e o mal, mas seus olhos se abriram e começaram a enxergar aquilo que antes não viam.
O diabo age por meio da lei
A lei faz com que a pessoa passe a prestar atenção naquilo que antes não observava e a enxergar aquilo que antes não percebia.
Algumas pessoas estavam pescando à beira-mar. Um homem pegou um peixe grande, mas, sem hesitar, devolveu-o ao mar. Pouco depois, outro homem pegou um peixe ainda maior, mas também não demonstrou alegria. Ele mediu o peixe com uma régua e depois o devolveu à água.
Naquele lugar, a lei determinava o tamanho dos peixes que podiam ser capturados. Quem violasse essa regra teria de pagar uma multa pesada. Por isso, quando os pescadores pegavam peixes menores do que o tamanho permitido pela lei, devolviam-nos ao mar.
Mas, se alguém que desconhecesse essa lei pescasse ali, ficaria feliz cada vez que pegasse um peixe. Somente depois de conhecer a lei começaria a prestar atenção no tamanho dos peixes que havia capturado.
Adão e Eva perceberam que estavam nus porque passaram a conhecer o bem e o mal. Assim como está escrito: “sem a lei estava morto o pecado” (Rm 7:8), se eles não conhecessem o bem e o mal, não teriam reconhecido sua nudez como algo mau.
O diabo age sobre o ser humano por meio da lei. Por isso, a Bíblia diz:
“Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou e por ele me matou” (Rm 7:11).
O diabo usou a lei do bem e do mal que Adão e Eva passaram a conhecer para fazê-los considerar sua nudez como algo mau e enganá-los, levando-os a pensar que Deus os castigaria.
Na verdade, a nudez de Adão e Eva não era um problema para Deus. Quando vemos um animal sem roupas, consideramos isso natural e não algo mau. Da mesma maneira, Deus via Adão e Eva. Se Deus tivesse considerado a nudez de Adão algo mau, teria coberto seu corpo desde o momento em que o criou.
Antes de conhecer o bem e o mal, Adão não se envergonhava de estar nu porque isso não representava nenhum problema para ele. Porém, enganados pelo diabo, Adão e Eva passaram a ter medo de Deus por causa de sua nudez e se esconderam.
O ser humano abandonou Deus
Deus chamou Adão, que havia se escondido entre as árvores do jardim para fugir de Sua presença, e perguntou:
“Onde estás?” (Gn 3:9).
Adão respondeu:
“Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me” (Gn 3:10).
Então Deus lhe perguntou:
“Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?” (Gn 3:11).
Deus sabia que Adão havia percebido sua nudez porque comera do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e, assim, passara a conhecer o bem e o mal. Deus também sabia que Adão havia julgado a si mesmo segundo essa lei do bem e do mal e, por isso, temendo o castigo, escondera-se de Sua presença.
Deus também sabia que por trás de tudo isso estava a serpente. Por isso disse à serpente:
“Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda besta e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás e pó comerás todos os dias da tua vida. E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3:14–15).
O fato de Adão ter se escondido de Deus por medo, por causa de sua nudez, mostra que ele havia aceitado a voz do diabo. Ao aceitar essa voz, passou a desconfiar do amor de Deus.
Mesmo depois de conhecer o bem e o mal, se Adão tivesse confiado no amor de Deus, não teria fugido nem se escondido Dele. Pois a Bíblia diz:
“No amor não há temor; antes, o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor” (1Jo 4:18).
Entretanto, Adão desconfiou do Deus que o amava e, tomado pelo medo, afastou-se de Deus em seu coração.
Pelo pecado veio a morte
A Bíblia descreve o fato de Adão ter desconfiado de Deus e se afastado Dele como morte em relação a Deus.
Assim como dizemos que uma pessoa morreu quando sua alma se separa do corpo, a morte também contém a ideia de separação. A Bíblia diz que “morremos para o pecado” (Rm 6:2), significando que fomos separados do pecado e já não estamos sob seu domínio. Também diz que fomos “mortos para a lei” (Rm 7:4), indicando que fomos separados dela e libertos de seu domínio.
Da mesma forma, ao abandonar Deus, Adão separou-se Dele e tornou-se morto para Deus.
Deus havia dito a Adão:
“Da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:17).
Deus sabia que, no dia em que Adão comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e passasse a conhecer o bem e o mal, morreria.
Como Deus havia dito, assim que Adão passou a conhecer o bem e o mal, o diabo começou a agir sobre ele. Usando a lei do bem e do mal que Adão agora conhecia, o diabo o enganou, levou-o a desconfiar de Deus e fez com que se afastasse Dele. Por isso, a Bíblia chama o diabo de “homicida desde o princípio” (Jo 8:44).
A Bíblia diz:
“Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm 5:12).
O “um homem” mencionado aqui é Adão. Deus criou Adão segundo Sua própria imagem, e ele não tinha pecado. Porém, quando Adão abandonou Deus e se tornou servo do diabo, o pecado entrou no mundo.
Aqui, o “mundo” pode ser entendido em relação à humanidade, assim como na declaração: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira” (Jo 3:16). Quando Adão acolheu o diabo, este, como agente do pecado, começou a agir dentro dele. Por isso, os pecados passaram a se manifestar no mundo dos seres humanos.
Quando Adão morreu para Deus, toda a humanidade morreu juntamente com ele. A Bíblia diz:
“No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão” (Rm 5:14).
Os descendentes de Adão não comeram pessoalmente do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal como Adão fez, nem foram enganados pela serpente da mesma maneira e abandonaram Deus naquele jardim. Ainda assim, a morte alcançou todos porque, quando Adão pecou, toda a humanidade estava nele.
Quando Adão comeu do fruto que Deus havia proibido, nós estávamos nele; e quando Adão foi enganado pelo diabo e abandonou Deus, nós também, nele, fomos separados de Deus e morremos para Deus.
O pecado que Deus julga
O ser humano que deixou de confiar em Deus fechou seus olhos e ouvidos para Ele e abriu seu coração para o diabo. Então o diabo introduziu no coração humano toda espécie de maldade.
Por isso, a Bíblia diz:
“Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo” (1Jo 2:16).
O diabo desperta no coração humano todo tipo de desejo e tenta as pessoas a viverem segundo esses desejos. Depois, quando pecam, ele as acusa, fazendo-as temer o castigo e impedindo-as ainda mais de retornar a Deus.
Além disso, o diabo coloca no ser humano o coração orgulhoso de pensar que pode viver sem Deus. Assim, mesmo vivendo pela graça de Deus, a pessoa despreza e ignora Aquele que lhe concede essa graça.
O ser humano, que não é mais sábio do que o diabo, é continuamente enganado por ele e levado a praticar o mal. Por isso, a Bíblia diz:
“O Senhor olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um” (Sl 14:2–3).
Deus olhou para nós, que nos tornamos servos do diabo e continuamente praticamos o mal, e Sua ira se acendeu contra nós.
“Em que, noutro tempo, andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência; entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também” (Ef 2:2–3).
O pecado que provoca a ira de Deus é o ser humano abandonar Deus, pertencer ao diabo e viver segundo os desejos que ele desperta.
Deus disse ao profeta Jeremias que, se Israel perguntasse qual era o seu pecado, deveria responder:
“Porque vossos pais me deixaram, diz o Senhor, e se foram após outros deuses, e os serviram, e se inclinaram diante deles, e me deixaram a mim, e a minha lei não a guardaram” (Jr 16:11).
Por isso, Jeremias 2:19 diz:
“A tua malícia te castigará, e as tuas apostasias te repreenderão; sabe, pois, e vê que mau e quão amargo é deixares o Senhor, teu Deus, e não teres o meu temor em ti, diz o Senhor Jeová dos Exércitos.”
Que marido não ficaria indignado se sua esposa se unisse a outro homem e cometesse adultério? Deus se indignou ao ver que nós O abandonamos e nos entregamos espiritualmente ao diabo.
Tão grande é Sua ira que a Bíblia diz:
“Quem parará diante do seu furor? E quem subsistirá diante do ardor da sua ira? A sua cólera se derramou como um fogo, e as rochas foram por ele derribadas” (Na 1:6).
Foi o diabo que conduziu a humanidade para debaixo da ira de Deus.
A verdadeira identidade do diabo
O diabo é um anjo caído. Quando Deus o criou, ele era cheio de sabedoria e formosura. Deus lhe concedeu uma posição elevada entre os seres angelicais.
Porém, por causa de sua própria excelência, ele se tornou orgulhoso, e sua glória corrompeu sua sabedoria. Desejou se igualar a Deus e, juntamente com os anjos que o seguiram, foi lançado para baixo.
Por fim, está destinado à condenação. A Bíblia fala a respeito dele:
“Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, e, acima das estrelas de Deus, exaltarei o meu trono, e, no monte da congregação, me assentarei, da banda dos lados do Norte. Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. E, contudo, levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo” (Is 14:12–15).
A Bíblia também descreve o destino final do diabo:
“E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre” (Ap 20:10).
Essa é a identidade do diabo e esse é o seu fim.
O diabo se encheu de ira contra Deus, que determinou que ele fosse lançado no lago de fogo eterno. Por isso, procura seduzir os seres humanos, a quem Deus ama, levando-os consigo para a condenação e, assim, tentando se vingar de Deus.
Seu orgulho é tão grande que ele jamais se voltará para Deus. Por isso, sua intenção cruel contra a humanidade não muda.
A misericórdia triunfa sobre o juízo
A Bíblia diz:
“Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz faz-se um corpo com ela? Porque serão, disse, dois numa só carne” (1Co 6:16).
Nós abandonamos Deus e nos unimos ao diabo, tornando-nos, assim, um com ele. Por causa disso, também ficamos destinados a entrar com o diabo no lago de fogo eterno. Entretanto, o ser humano enganado pelo diabo não percebe qual será o seu fim.
Isso se assemelha à história das duas mulheres que compareceram diante do rei Salomão, cada uma afirmando que a criança era seu próprio filho. Salomão ordenou que a criança fosse cortada ao meio com uma espada e que uma metade fosse dada a cada mulher. A criança, porém, não tinha consciência de que estava prestes a ser dividida ao meio e morrer.
Mas, assim como a espada de Salomão fez arder o coração da verdadeira mãe, quando ficamos destinados à perdição eterna, o coração de Deus ardeu por nós. Para a falsa mãe, não importava que a criança fosse dividida ao meio; a verdadeira mãe, porém, jamais poderia permitir que seu filho morresse. Da mesma forma, Deus não poderia simplesmente permanecer olhando enquanto nós entrávamos na perdição eterna juntamente com o diabo.
Assim como está escrito:
“Então, o Senhor terá zelo da sua terra e se compadecerá do seu povo” (Jl 2:18).
O imenso amor de Deus por nós fez com que Sua ira se desviasse. Por isso, a Bíblia diz:
“A misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tg 2:13).
Deus preparou Jesus
Quando um filho comete um crime digno de morte, seus pais podem ficar tão irados que parecem querer matá-lo, mas não conseguem fazê-lo. Da mesma maneira, Deus, que nos ama, embora estivesse irado conosco, não poderia permitir que entrássemos na perdição eterna.
Por isso, Deus precisava nos salvar da perdição eterna.
Entretanto, Deus é justo e necessariamente julga o pecado. Por causa dos pecados que cometemos, deveríamos receber a maldição, mas Deus, que nos ama, não desejava isso. Por essa razão, Deus determinou que nos perdoaria fazendo Jesus receber a maldição em nosso lugar.
A Bíblia diz:
“Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor, e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1:4–5).
Deus sabia que cairíamos e, antes mesmo da fundação do mundo, já havia determinado que, por meio de Jesus, todos os nossos pecados fossem lavados, para que nos tornássemos santos e irrepreensíveis diante Dele e para que todo aquele que crê em Jesus se tornasse Seu filho.
Algumas pessoas imaginam Deus sentado em um trono elevado, apenas observando nossas ações e nos julgando segundo nossos acertos e erros. Porém, Deus é Aquele que planejou e realizou todas as coisas para nos resgatar da perdição eterna e nos fazer permanecer em Seu amor.
Na verdade, Deus e Jesus são um. Por isso, o sofrimento de Jesus é também o sofrimento de Deus, e a morte de Jesus revela o quanto Deus entregou de Si mesmo por nós. Para nos salvar do pecado, Deus entregou Seu próprio Filho e, Nele, deu-Se por nós.
Pela lei vem o conhecimento do pecado
Antes de nos salvar por meio de Jesus, Deus precisava primeiro nos fazer compreender que estávamos debaixo de Sua ira.
Mesmo que uma pessoa esteja sofrendo de uma doença fatal, se não souber que está doente, considerará até o melhor remédio como algo que nada tem a ver com ela. Da mesma forma, se não soubermos que estamos destinados à perdição eterna juntamente com o diabo, ainda que Deus entregue Jesus à morte por nós, consideraremos Jesus alguém que nada tem a ver conosco.
Por isso, Deus precisava nos fazer compreender que estávamos debaixo da morte por causa do pecado. Para isso, Deus nos deu a Lei.
Na verdade, o ser humano possui consciência e, por meio dela, pode perceber que é pecador. Entretanto, assim como em um lugar onde o adultério se tornou comum as pessoas podem deixar de considerá-lo pecado, a consciência tende a se tornar insensível conforme o ambiente em que a pessoa vive.
Por isso, a Bíblia diz:
“Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado não havendo lei” (Rm 5:13).
Deus deu a Lei porque a consciência humana havia se tornado insensível e o homem já não percebia claramente que era pecador. Por isso, a Bíblia diz:
“Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm 3:20).
Deus deu a Lei por meio de Moisés.
A Lei é como um espelho que reflete nosso coração. Quando olhamos para nosso coração através da Lei, percebemos quão cheio ele está de coisas impuras e vergonhosas.
A Bíblia diz que “o que eles fazem em oculto até dizê-lo é torpe” (Ef 5:12). A Lei expõe até mesmo os pecados escondidos nas profundezas de nosso coração, aqueles que imaginamos existir nos outros, mas não em nós mesmos.
Como está escrito:
“Como na água o rosto corresponde ao rosto, assim o coração do homem ao homem” (Pv 27:19).
Assim, todo pecado que vemos transbordando no mundo também existe, em sua raiz, dentro de nós.
Carnal, vendido sob o pecado
O fato de existir maldade dentro do ser humano, que foi originalmente criado sem pecado, deve-se à entrada e atuação do pecado no homem. O diabo desperta no ser humano os desejos da carne e o engana para que os siga.
Como o diabo age dessa maneira sobre todos os seres humanos, todos acabam seguindo os desejos da carne e da mente.
O apóstolo Paulo não era exceção.
Como qualquer pessoa, ele desejava o bem e odiava o mal. Como a Lei é boa, ele se agradava dela e procurava obedecê-la. Contudo, viu a si mesmo transgredindo a Lei e praticando justamente o mal que não queria praticar.
Então percebeu que não possuía em si mesmo poder para realizar o bem e que havia dentro dele o pecado que o levava a praticar o mal.
Por isso, disse:
“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim” (Rm 7:18–20).
O apóstolo Paulo percebeu que o pecado que habitava nele vencia seu desejo de fazer o bem e continuamente o levava a praticar o mal.
Ele disse:
“Acho então esta lei em mim: que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus. Mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros” (Rm 7:21–23).
Um cachorro preso pela mão de seu dono não consegue ir para onde deseja, mas é levado para onde o dono o conduz, porque o dono é mais forte do que ele.
Da mesma maneira, o apóstolo Paulo percebeu que o pecado que habitava nele era mais forte do que ele e continuamente o levava a pecar.
Ao ver que, independentemente de sua própria vontade, era continuamente vencido pelo pecado, ele lamentou:
“Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7:24).
O pecado desperta toda espécie de desejos através da carne, e por isso não há bem algum na carne. Ao perceber que era carnal e estava vendido sob o pecado, o apóstolo Paulo compreendeu que precisava de um Salvador que o libertasse desse corpo de morte.
Debaixo da maldição
Na verdade, a Lei é terrível em sua exigência. Ela declara que, se quebrarmos apenas um mandamento, tornamo-nos culpados de toda a Lei.
A Bíblia diz:
“Porque qualquer que guardar toda a lei e tropeçar em um só ponto tornou-se culpado de todos. Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás. Se tu, pois, não cometeres adultério, mas matares, estás feito transgressor da lei” (Tg 2:10–11).
Além disso, a Lei exige maldição mesmo daquele que transgride um único mandamento.
A Bíblia diz:
“Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las” (Gl 3:10).
Portanto, nós, que somos incapazes de guardar perfeitamente a Lei, estamos debaixo da maldição. É por isso que a Bíblia declara que nós, que continuamente praticamos o mal, estamos debaixo do juízo de Deus:
“Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com a língua tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos. Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” (Rm 3:9–19).
A Lei como aio para nos conduzir a Cristo
A Bíblia diz:
“Assim, a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom. Logo, tornou-se-me o bom em morte? De modo nenhum! Mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte pelo bem, a fim de que pelo mandamento o pecado se fizesse excessivamente maligno” (Rm 7:12–13).
A Lei é boa. Isso, porém, não significa que a Lei nos dê poder para praticar o bem. Nós, dominados pelo pecado, não possuímos em nós mesmos capacidade para cumprir perfeitamente a vontade de Deus.
A Lei, sendo boa, revela através de nossa incapacidade de guardá-la quão maus somos. Ela faz com que o pecado se manifeste como verdadeiramente pecado e nos mostra que estamos debaixo da maldição.
Quando alguém percebe, através da Lei, que jamais poderá escapar do juízo de Deus por sua própria força, chega ao fim de sua confiança em si mesmo. Então passa a procurar um Salvador que possa libertá-lo do pecado.
Por isso, a Lei exerce a função de um “aio” que nos conduz a Cristo, nosso Salvador (Gl 3:24).
O amor escondido na ira
Quando um pai se ira contra um filho que fez algo errado, sua ira tem o propósito de fazê-lo perceber a gravidade do erro, abandonar o caminho errado e voltar ao caminho correto.
Da mesma maneira, Deus nos fez compreender, por meio da Lei, que estávamos debaixo de Sua ira para que crêssemos em Jesus, nosso Salvador, fôssemos libertos do diabo e voltássemos para Deus.
Assim como o amor de um pai por seu filho pode estar escondido em sua ira, o amor de Deus por nós está escondido em Sua ira.
Se Deus tivesse nos dado somente a Lei, que revela o pecado, poderíamos concluir que Seu propósito era apenas nos julgar. Mas, se Deus nos deu a Lei e também nos deu Jesus, então podemos compreender que Seu propósito final não é simplesmente nos condenar, mas nos salvar.
Por isso, a Bíblia diz:
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3:16–17).
O sacrifício pelo pecado na Lei
Antes de Jesus vir a este mundo para resolver o problema de nossos pecados, muitas partes das Escrituras já apontavam para Aquele que haveria de vir.
Especialmente na Lei que Moisés recebeu de Deus no monte Sinai, havia sacrifícios pelos quais uma pessoa que havia pecado podia receber perdão. Esses sacrifícios foram registrados como sombras de Jesus Cristo.
Por isso, quando compreendemos os sacrifícios pelo pecado descritos no Antigo Testamento, podemos compreender mais facilmente como Jesus lavou nossos pecados e nos purificou. Assim, é útil primeiro compreender o sacrifício pelo pecado estabelecido na Lei.
Na Lei, o sacrifício oferecido variava conforme a pessoa que havia pecado. Entretanto, para compreender como Jesus perdoou nossos pecados, é suficiente examinarmos o sacrifício pelo pecado oferecido por uma pessoa comum, como nós, e o sacrifício realizado para expiar de uma só vez os pecados cometidos pelo povo de Israel durante o ano.
Primeiramente, quando uma pessoa comum de Israel pecava e depois tomava consciência de sua culpa, ela levava ao tabernáculo uma cabra sem defeito.
Ali, colocava a mão sobre a cabeça da cabra, transferindo simbolicamente para ela o pecado que havia cometido. Depois, a cabra que havia recebido o pecado era morta, e seu sangue era recolhido em um recipiente.
Então o sacerdote molhava o dedo no sangue da cabra e o colocava sobre os chifres do altar do holocausto. O restante do sangue era derramado à base do altar.
Depois disso, o sacerdote retirava a gordura da cabra e a queimava sobre o altar. Dessa maneira, a pessoa que havia pecado recebia perdão e era purificada. [Ver Levítico 4.]
O sacerdote colocava o sangue da cabra sobre os chifres do altar porque o pecado cometido pelo homem estava registrado ali.
A Bíblia diz que, quando uma pessoa peca, seu pecado é registrado em dois lugares:
“O pecado de Judá está escrito com um ponteiro de ferro, com ponta de diamante, gravado na tábua do seu coração e nos chifres dos seus altares” (Jr 17:1).
Por isso, o sacerdote cobria com o sangue da cabra o pecado registrado nos chifres do altar, de modo que ele já não ficasse exposto.
Mas o pecado registrado na tábua do nosso coração não é coberto pelo sangue de uma cabra. Ele é coberto pelo sangue de Jesus.
O Dia da Expiação
Todos os anos, no décimo dia do sétimo mês, todo o povo de Israel oferecia um sacrifício de expiação para que fossem purificados de todos os pecados cometidos durante o ano. Esse sacrifício era diferente daquele em que uma pessoa comum colocava pessoalmente a mão sobre a cabeça de uma cabra para transferir para ela o seu pecado. Nesse dia, os israelitas não transferiam individualmente seus pecados para o animal; o sumo sacerdote, como representante de todo o povo de Israel, fazia isso em nome de todos.
Primeiramente, o sumo sacerdote colocava a mão sobre a cabeça de um novilho e transferia para ele os seus próprios pecados. Depois, matava o novilho e entrava no Santo dos Santos levando seu sangue. Ali, aspergia o sangue sobre o lado oriental do propiciatório e sete vezes diante dele, fazendo primeiro expiação por si mesmo e sendo purificado dos pecados cometidos durante o ano.
Depois disso, o sumo sacerdote tomava um dos dois bodes previamente separados para os pecados de todo o povo de Israel. Colocava a mão sobre a cabeça do bode e transferia para ele todos os pecados que os israelitas haviam cometido durante o ano. Então matava o bode que havia recebido os pecados e, levando seu sangue, entrava novamente no Santo dos Santos e aspergia o sangue sobre o propiciatório e diante dele.
Ao sair do Santo dos Santos, o sumo sacerdote tomava do sangue restante do novilho e do bode e o colocava sobre os chifres do altar do holocausto. Depois, com o dedo, aspergia o sangue sete vezes sobre o altar, fazendo expiação por ele e santificando-o das impurezas dos filhos de Israel.
Em seguida, o sumo sacerdote colocava ambas as mãos sobre a cabeça do outro bode, o bode destinado a Azazel, e confessava sobre ele todas as iniquidades, transgressões e pecados dos filhos de Israel, transferindo-os para o animal.
Então o bode, carregando todos os pecados que o povo de Israel havia cometido durante o ano, era conduzido para fora do tabernáculo por um homem previamente designado e abandonado no deserto, numa terra desabitada. [Ver Levítico 16.]
Depois disso, a pele, a carne e o excremento do novilho e do bode que haviam sido mortos pelos pecados do sumo sacerdote e do povo de Israel eram queimados fora do acampamento.
Dessa maneira, o sumo sacerdote e o povo de Israel recebiam perdão e eram purificados de todos os pecados que haviam cometido durante o ano.
O bode de Azazel, que levava consigo os pecados do povo de Israel, era uma sombra de Jesus Cristo, que carregaria os nossos pecados. Quando o bode de Azazel era conduzido para fora do tabernáculo para ser abandonado no deserto, os israelitas que estavam fora podiam vê-lo levando consigo os seus pecados. Isso apontava, como uma sombra, para o dia em que as pessoas veriam Jesus levando sobre Si todos os pecados do mundo.
Jesus Cristo levou o pecado do mundo
Para que os pecados dos israelitas fossem purificados, uma ovelha ou um bode precisava derramar seu sangue e morrer, pois a Lei ensina que quase todas as coisas são purificadas com sangue e que, sem derramamento de sangue, não há perdão dos pecados.
Entretanto, o sangue de ovelhas e bodes podia tratar dos pecados que já haviam sido cometidos, mas não tinha poder para purificar de uma vez por todas também os pecados futuros. Se o sangue de um bode pudesse purificar de uma só vez não apenas os pecados já cometidos, mas também todos os pecados que ainda seriam cometidos, bastaria oferecer um único sacrifício, e não haveria necessidade de repeti-lo.
Por isso, a Bíblia diz:
“Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado” (Hb 10:2).
A Bíblia também diz:
“Porque, tendo a lei a sombra dos bens futuros e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” (Hb 10:1).
As ovelhas e os bodes eram apenas sombras de Jesus Cristo. Por isso, o sangue dos animais não podia purificar completa e definitivamente todos os pecados do ser humano.
Então Deus preparou um sacrifício capaz de purificar, de uma só vez e para sempre, os pecados de todas as pessoas do mundo. Esse sacrifício é Jesus Cristo.
Deus fez com que Jesus, nossa oferta de expiação, carregasse os pecados de toda a humanidade. O profeta Isaías disse:
“Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Is 53:6).
Assim como, no Dia da Expiação, no décimo dia do sétimo mês, o sumo sacerdote transferia para o bode todos os pecados que Israel havia cometido durante o ano, Deus colocou sobre Jesus todos os nossos pecados.
Quando temos um problema e alguém assume esse problema em nosso lugar, ele deixa de estar sob nossa responsabilidade e passa para aquele que o assumiu. Da mesma maneira, quando Jesus tomou sobre Si os nossos pecados, o problema dos nossos pecados passou de nós para Ele.
Jesus veio a este mundo para resolver o problema dos nossos pecados. Ao vê-Lo, João Batista declarou:
“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29).
João Batista nasceu seis meses antes de Jesus para dar testemunho Dele. Ele testemunhou que Jesus era o sacrifício que Deus havia preparado para os nossos pecados e que Ele levaria o pecado do mundo.
Para compreendermos o que significa o “pecado do mundo” que Jesus levou, precisamos primeiro compreender o sentido da palavra “mundo”. O mundo humano existe onde existem seres humanos. Nesse sentido, sua história começou com Adão e continuará até o último ser humano sobre a terra.
Portanto, “o pecado do mundo” refere-se aos pecados da humanidade. Jesus tomou sobre Si todos os pecados cometidos pelos seres humanos que, afastados de Deus e escravizados pelo diabo, seguiram os desejos do coração e da carne.
Está consumado
Como o pecado exige derramamento de sangue para sua expiação, a Bíblia diz que o salário do pecado é a morte.
Para pagar o preço de nossos pecados, que era a morte, Jesus tomou sobre Si os nossos pecados, foi açoitado e conduzido ao Calvário.
O profeta Isaías viu antecipadamente esse acontecimento e escreveu:
“Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados” (Is 53:4–5).
Por fim, Jesus cumpriu tudo aquilo que estava escrito nas Escrituras e foi pregado na cruz.
Enquanto derramava Seu sangue e morria pelos nossos pecados, clamou em alta voz Suas últimas palavras:
“Está consumado” (Jo 19:30).
A vontade de Deus era que Jesus recebesse em nosso lugar a maldição que nós deveríamos receber, para que fôssemos perdoados e nos tornássemos santos e irrepreensíveis. Na cruz, Jesus cumpriu completamente essa vontade.
Jesus removeu a Lei, o pecado e a condenação
A Lei diz:
“Eu sou santo; portanto, vós sereis santos” (Lv 11:45).
A Lei exige do ser humano uma santidade sem pecado.
A Bíblia diz:
“E será para nós justiça, quando tivermos cuidado de cumprir todos estes mandamentos perante o Senhor, nosso Deus, como nos tem ordenado” (Dt 6:25).
Entretanto, ninguém consegue guardar perfeitamente todos os mandamentos de Deus e tornar-se justo por meio deles. Por isso está escrito:
“Não há um justo, nem um sequer” (Rm 3:10).
E a Lei exige maldição daquele que não permanece em santidade. Portanto, nós, pecadores, ficamos debaixo da maldição da Lei.
Mas Jesus recebeu na cruz, em nosso lugar, a maldição da Lei que deveria cair sobre nós.
Por isso, a Bíblia diz:
“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro” (Gl 3:13).
Por causa da maldição que Jesus recebeu na cruz, nossos pecados foram perdoados e fomos santificados.
A Bíblia diz:
“Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” (Hb 10:10).
Jesus cumpriu por nós tanto a exigência de santidade da Lei quanto a maldição exigida pela Lei. Por isso, a Lei já não podia exigir de nós aquilo que Cristo havia cumprido em nosso lugar.
Então Jesus, por meio de Sua carne, aboliu a barreira constituída pelos mandamentos em forma de ordenanças. A Bíblia diz:
“Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derribando a parede de separação que estava no meio, na sua carne, desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz” (Ef 2:14–15).
Na cruz, Jesus tratou com aquilo que nos condenava, perdoou todos os nossos pecados e recebeu em nosso lugar o castigo que nos cabia. Assim, libertou-nos da condenação da Lei, do pecado e do castigo.
Na verdade, se apenas um desses obstáculos tivesse sido completamente resolvido, já não haveria razão para temermos voltar para Deus. Mas Jesus tratou, na cruz, com a Lei que nos condenava, com nossos pecados e com nosso castigo.
Por isso, já não existe obstáculo algum que nos impeça de nos aproximarmos de Deus.
Por causa de Jesus, o diabo perdeu todo fundamento para nos acusar diante de Deus. Entretanto, sendo mentiroso e pai da mentira, ele continua enganando as pessoas. Assim como enganou Adão, fazendo-o pensar que sua nudez era motivo para fugir de Deus, embora Deus não a tivesse apresentado dessa maneira, também hoje o diabo procura esconder a obra consumada de Cristo e fazer as pessoas pensarem que Deus ainda exige delas o pagamento pelos pecados que Jesus já levou sobre Si.
Uma nova promessa
Por meio de Jesus, Deus perdoou todos os pecados que cometemos depois de abandonarmos Deus e nos unirmos ao diabo.
Então fez esta promessa:
“E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades” (Hb 10:17).
Não seria exagero dizer que a Bíblia é um livro de promessas. Ela é dividida em Antigo Testamento e Novo Testamento, e os próprios nomes apontam para alianças e promessas estabelecidas por Deus.
A antiga aliança foi a primeira aliança estabelecida por Deus antes da vinda de Jesus. Essa aliança estava ligada à obediência do povo: se guardassem a Lei, receberiam bênção; se a transgredissem, ficariam debaixo da maldição.
Entretanto, como ninguém podia guardar perfeitamente a Lei, Deus disse:
“Como não permaneceram naquela minha aliança, eu para eles não atentei, diz o Senhor” (Hb 8:9).
Como, sob a primeira aliança, o ser humano pecador inevitavelmente se encontrava debaixo da condenação, Deus estabeleceu uma nova e melhor aliança para que o homem pudesse receber a bênção.
Essa segunda aliança não se baseia em nossas obras, mas naquilo que Jesus realizou por nós.
Jesus tornou-Se nosso Sumo Sacerdote e, com Seu próprio sangue derramado na cruz, entrou não em um santuário terreno, mas no santuário celestial, obtendo para nós uma “eterna redenção” (Hb 9:12).
Por causa dessa obra, Deus estabeleceu uma nova promessa:
“E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades” (Hb 10:17).
Deus nos deu a Lei para que reconhecêssemos o pecado e compreendêssemos que estávamos debaixo da morte. Seu propósito, porém, não era simplesmente nos condenar, mas conduzir-nos a essa nova promessa.
Por isso, a Bíblia diz:
“Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes” (Gl 3:22).
A lei do Espírito de vida
O Espírito Santo deu testemunho da nova promessa de Deus para nós. A Bíblia diz:
“E também o Espírito Santo no-lo testifica, porque, depois de haver dito: Este é o concerto que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seu coração e as escreverei em seus entendimentos; acrescenta: E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades. Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado” (Hb 10:15–18).
Por meio dessas palavras, podemos compreender que a nova promessa de Deus é, ao mesmo tempo, uma promessa e uma lei. Essa nova promessa, da qual o Espírito Santo dá testemunho, é uma lei de vida que vivifica a nós, que estávamos mortos por causa do pecado. E, como o Espírito Santo dá testemunho de Jesus, o evangelho de Jesus Cristo, que inclui essa nova promessa, é a “lei do Espírito de vida”.
A Bíblia diz:
“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte” (Rm 8:1–2).
Em um país onde existe uma lei que determina a pena de morte para desertores durante uma guerra, aquele que abandona seu posto vive aterrorizado diante da morte. Porém, se nesse país for estabelecida uma lei que conceda perdão aos desertores, essa pessoa será libertada da morte e receberá vida.
Assim, uma lei pode limitar os efeitos de outra lei. A “lei do pecado e da morte”, que nos condenava e nos colocava debaixo da morte, perdeu seu poder sobre nós por causa da “lei do Espírito de vida”. Dessa maneira, fomos libertados da morte e recebemos vida.
Quando ficamos debaixo da morte por causa do pecado, Deus nos revelou a “lei do Espírito de vida” que está em Jesus Cristo. Essa lei estava em Cristo desde antes dos tempos eternos e permanecerá Nele eternamente.
Como Deus trata aqueles que creem em Jesus e estão Nele segundo a lei do Espírito de vida, para nós não há condenação para sempre.
Diante disso, podemos compreender que a vida ou a morte de uma pessoa não depende de suas obras, mas da lei sob a qual ela se encontra. Seu destino é determinado pela lei sob a qual está. Debaixo da “lei do pecado e da morte”, o resultado inevitável é a morte; debaixo da “lei do Espírito de vida”, há vida.
Foi pela graça de Deus que recebemos essa lei que nos dá vida. Por isso, a Bíblia diz:
“Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm 6:14).
Amor e graça incondicionais
Há dois caminhos pelos quais alguém poderia ser considerado justo. Um seria guardar perfeitamente a Lei; o outro é ser justificado porque Jesus purificou todos os nossos pecados.
Deus sabia que ninguém conseguiria ser justificado pela Lei. Por isso, providenciou nossa justificação por meio de Jesus.
A Bíblia diz:
“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3:23–24).
A justiça que recebemos por meio de Jesus é a justiça perfeita exigida por Deus, aquela que jamais conseguiríamos alcançar guardando a Lei por nossas próprias forças.
E Deus considera como justiça a fé daquele que crê que Ele justifica o pecador por meio de Jesus.
A Bíblia diz:
“Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Rm 4:5).
Portanto, quando a Bíblia fala daquele que é justo diante de Deus, não se refere simplesmente a alguém que nunca comete pecado, mas àquele que, pela fé, recebe a justiça que Deus concede em Jesus Cristo.
Deus não fez nossa salvação depender de nossas obras. Ele tornou possível que todo aquele que crê em Jesus seja justificado e entre no reino dos céus. Isso acontece porque Deus nos ama e nos concede Sua graça.
A Bíblia diz:
“Mas, quando apareceu a benignidade e o amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador, para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros, segundo a esperança da vida eterna” (Tt 3:4–7).
Também está escrito:
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2:8–9).
Se a salvação viesse de nossas obras, ela já não seria graça, porque graça é aquilo que é concedido gratuitamente.
Por isso, a Bíblia diz:
“Mas, se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça” (Rm 11:6).
Também está escrito:
“Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8).
Deus já nos amava quando ainda éramos pecadores, quando estávamos afastados Dele. Isso nos mostra que Seu amor por nós não depende de condições que primeiro precisamos cumprir.
Assim como os pais amam seus filhos porque existe neles o amor pelos filhos, Deus nos ama porque Ele é amor. Foi esse amor que fez Sua graça chegar até nós.
Arrependimento
O ser humano desconfiou do amor de Deus e se afastou Dele. Por isso, Deus precisava revelar Seu amor ao ser humano. Caso contrário, ninguém voltaria para Ele.
Deus é onisciente e onipotente. Contudo, em Seu plano de salvação, entregou Seu Filho unigênito, Jesus Cristo. Isso mostra não somente quão preciosa é nossa salvação, mas também a grandeza do amor que Deus quis revelar a nós.
A Bíblia diz:
“Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (Jo 15:13).
Jesus disse:
“Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus” (Mt 4:17).
Naquela época, os israelitas ofereciam os sacrifícios estabelecidos na Lei quando pecavam, buscando expiação por seus pecados. Portanto, quando Jesus lhes disse que se arrependessem, Suas palavras iam muito além de simplesmente pedir perdão pelos pecados cometidos diariamente.
Era um chamado para que cressem no amor de Deus revelado por meio de Jesus e voltassem para Deus.
Assim, o verdadeiro arrependimento não consiste simplesmente em pedir repetidamente perdão pelos pecados cometidos todos os dias e fazer resoluções para nunca mais cometê-los. Arrepender-se é o ser humano, que se afastou de Deus, crer na obra de Cristo para o perdão dos seus pecados e voltar para Deus.
A Bíblia diz:
“Desfaço as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados, como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi” (Is 44:22).
Quando Jesus morreu na cruz, dois criminosos também estavam sendo crucificados, um de cada lado. No início, ambos insultavam Jesus. Porém, pouco antes de morrer, um deles se voltou para Jesus.
Ele disse:
“Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino” (Lc 23:42).
Jesus respondeu:
“Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23:43).
Assim, mesmo uma pessoa que tenha cometido pecados gravíssimos pode receber a salvação ao receber Jesus pela fé e tornar-se herdeira do reino dos céus. Nesse sentido, não há distinção.
Por isso, a Bíblia diz:
“Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome” (Jo 1:12).
O pecado que será julgado
Quando algumas pessoas contaram a Jesus sobre os galileus cujo sangue Pilatos havia misturado com seus sacrifícios, Jesus respondeu:
“Cuidais vós que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas? Não, vos digo; antes, se vos não arrependerdes, todos de igual modo perecereis. E aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalém? Não, vos digo; antes, se vos não arrependerdes, todos de igual modo perecereis” (Lc 13:2–5).
Como Jesus ensinou, uma pessoa não perece simplesmente porque cometeu mais pecados do que outra, mas permanece sob condenação se não se arrepender e não se voltar para Deus.
Jesus disse a respeito do pecado:
“Do pecado, porque não creem em mim” (Jo 16:9).
Jesus levou sobre Si o pecado do mundo e realizou a obra da expiação. Ainda assim, aquele que rejeita Cristo permanece em incredulidade diante daquilo que Deus realizou.
Deus revelou Seu imenso amor por meio de Jesus. Contudo, o incrédulo rejeita esse amor, não volta para Deus e permanece afastado Dele. Por isso permanece debaixo do juízo e caminha para a perdição eterna.
A Bíblia adverte:
“Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo, que há de devorar os adversários. Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do testamento, com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?” (Hb 10:26–29).
Aquele que permanece enganado pelo diabo e rejeita o amor de Deus resiste ao testemunho que o Espírito Santo dá acerca de Jesus.
A Bíblia diz:
“E a todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do Homem ser-lhe-á perdoada, mas ao que blasfemar contra o Espírito Santo não lhe será perdoado” (Lc 12:10).
Trata-se da rejeição consciente da verdade para a qual o Espírito Santo dá testemunho. Para aquele que rejeita deliberadamente o único sacrifício de Cristo, não existe outro sacrifício que possa substituí-lo.
Por isso, a Bíblia diz:
“Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência, e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento? Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus” (Rm 2:4–5).
Deus julga segundo as obras
O livro de Apocalipse descreve o julgamento dos pecadores no último dia:
“E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros. E abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (Ap 20:11–15).
A Bíblia fala sobre o inferno em diversas passagens. O próprio Jesus disse:
“Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. Porque cada um será salgado com fogo” (Mc 9:48–49).
O inferno é apresentado nas Escrituras como lugar de castigo e separação definitiva de Deus. Por isso, seu juízo é terrível.
No dia do juízo, já não será o tempo oferecido ao homem para desprezar a bondade de Deus e continuar recusando Seu chamado ao arrependimento. Aqueles que zombaram do amor de Deus e recusaram crer enfrentarão Seu justo juízo.
O veredito final é apresentado de maneira solene. Diante de Deus está o Livro da Vida. Aquele cujo nome não é encontrado escrito no Livro da Vida é lançado no lago de fogo, a segunda morte, permanecendo eternamente separado de Deus.
Jesus sofreu por nossos pecados, foi açoitado, conduzido à cruz e morreu em nosso lugar. Por isso, rejeitar Aquele que Deus entregou para nossa salvação é rejeitar a própria provisão de Deus para o pecado.
Assim como o amor de Deus é eterno, Seu justo juízo também tem consequências eternas.
A Bíblia diz:
“Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E a condenação é esta: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más” (Jo 3:18–19).
Aquele que não crê em Jesus já permanece sob condenação nesta vida. Ainda assim, no último dia Deus julgará os seres humanos porque Ele é justo.
Naquele julgamento, as pessoas serão julgadas segundo suas obras.
Quando Deus salva uma pessoa, não é com base nas obras dela. Entretanto, no juízo final, as obras aparecem como evidência daquilo que estava no coração e da condição em que a pessoa viveu.
A Bíblia diz:
“Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7:16–20).
Assim como um boi não vive como um porco, nem um porco como um boi, aquilo que uma pessoa é se manifesta em seus frutos.
Jesus disse:
“Vós fazeis as obras de vosso pai” (Jo 8:41).
Aqueles que pertencem ao diabo seguem os desejos que ele coloca diante deles, praticam o mal e, permanecendo nessa condição, chegam ao juízo.
Por isso, a Bíblia adverte:
“Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas essas coisas te trará Deus a juízo” (Ec 11:9).
Volte-se para o nosso Deus, porque Ele é rico em perdoar
A Bíblia diz:
“Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno, os seus pensamentos, e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar” (Is 55:7).
Se Deus nos amou a ponto de entregar Seu próprio Filho por nós, certamente não rejeitará aquele que se aproxima Dele, não importa quantos pecados tenha cometido.
Por meio de Seu próprio corpo, Jesus derrubou a barreira do pecado que nos separava de Deus e abriu completamente o caminho para que qualquer pessoa possa se aproximar Dele.
A Bíblia diz:
“E Jesus, dando um grande brado, expirou. E o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo” (Mc 15:37–38).
O Santo dos Santos, onde se manifestava a presença do Deus santo, permanecia separado por esse véu, pois uma pessoa pecadora não podia entrar ali livremente sem enfrentar a morte. Por isso, até mesmo o sumo sacerdote, que entrava no Santo dos Santos uma vez por ano, no Dia da Expiação, precisava primeiro oferecer expiação por seus próprios pecados.
Entretanto, Jesus purificou completamente os nossos pecados. Por isso, já não havia necessidade de o véu continuar fechando o acesso ao Santo dos Santos. Então o próprio Deus rasgou o véu do templo.
Agora está aberto diante de nós um caminho pelo qual qualquer pessoa pode se aproximar de Deus.
Por isso, a Bíblia diz:
“Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne” (Hb 10:19–20).
Agora, basta que nos aproximemos de Deus pelo novo e vivo caminho que Jesus abriu.
Por isso está escrito:
“E, desde os dias de João Batista até agora, se faz violência ao Reino dos céus, e pela força se apoderam dele” (Mt 11:12).
Quão maravilhoso e digno de gratidão é para nós aquilo que a Bíblia declara:
“Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação” (2Co 6:2).
A porta para o reino dos céus ainda está aberta.
Entretanto, a Bíblia também diz:
“Quando o pai de família se levantar e cerrar a porta, e começardes, de fora, a bater à porta, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos; e, respondendo ele, vos disser: Não sei de onde vós sois; então, começareis a dizer: Temos comido e bebido na tua presença, e tu tens ensinado nas nossas ruas. E ele vos responderá: Digo-vos que não sei de onde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais a iniquidade” (Lc 13:25–27).
Jesus diz:
“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo” (Ap 3:20).
Enquanto Jesus nos oferece Sua graça, devemos abrir a porta do coração e recebê-Lo. Então estaremos unidos a Jesus e reinaremos eternamente com Ele em Seu reino.
Eis que tudo se fez novo
Jesus disse:
“Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3:3).
Estávamos debaixo do poder das trevas, mas, tendo recebido o perdão dos pecados, nascemos de novo como filhos de Deus.
A Bíblia diz:
“Ele nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor, em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados” (Cl 1:13–14).
Agora estamos em Jesus Cristo.
Como fomos feitos nova criação Nele, a Bíblia diz:
“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2Co 5:17).
Antes, andávamos desgarrados como ovelhas, mas agora voltamos para Aquele que é o Pastor e Bispo de nossa alma e nos tornamos ovelhas cuidadas e alimentadas por Ele.
Jesus disse:
“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará das minhas mãos. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las das mãos de meu Pai” (Jo 10:27–29).
Davi cantou:
“O Senhor é o meu pastor; nada me faltará” (Sl 23:1).
O pastor protege suas ovelhas de todo perigo, supre suas necessidades e trabalha em favor delas. Por isso, as ovelhas desfrutam de tudo aquilo que o pastor lhes proporciona e encontram descanso sob seus cuidados.
Jesus disse:
“Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai e dou a minha vida pelas ovelhas” (Jo 10:14–15).
Estar em Jesus é uma bênção de Deus tão grande que palavras não conseguem expressá-la plenamente.
O amor de Deus é eterno
Deus é amor. E, como Deus é eterno, Seu amor também é eterno. Por isso, jamais conseguiremos compreender plenamente toda a extensão do amor de Deus.
Assim como cada pessoa compreende as Escrituras em diferentes profundidades, também existem diferentes profundidades na maneira como conhecemos e desfrutamos do amor de Deus.
Entretanto, somente o fato de Deus ter perdoado nossos pecados já é suficiente para que sejamos eternamente gratos por Seu amor e O louvemos para sempre.
O perdão é concedido por aquele que sofreu a ofensa àquele que o ofendeu.
Se uma esposa abandona seu marido e comete adultério com outro homem, é ela quem feriu seu marido. Não faria sentido dizer que ela é quem deve perdoá-lo por essa traição.
Nós abandonamos Deus e nos unimos ao diabo, entristecendo a Deus. Nesse sentido, fomos nós que O ofendemos.
Ainda assim, para nos perdoar, Deus chegou ao ponto de entregar Seu próprio Filho. Ao vermos isso, não resta dúvida de quão grande é o amor de Deus por nós.
A Bíblia diz:
“Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8:38–39).
Nós também somos criaturas de Deus. Portanto, nenhuma coisa criada pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus.
A vida que recebemos por nossa união com Deus é eterna. Por isso ela é chamada de “vida eterna”.
A Bíblia está repleta do amor de Deus.
Nós cremos nesse amor porque cremos que é impossível que Deus minta (Hb 6:18) e que Sua Palavra é a verdade (Jo 17:17).
Deus jamais permitirá que nossa fé Nele seja em vão.
Jesus diz:
“Não temas, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o Reino” (Lc 12:32).
